Religious Festivities in Minas Gerais: Society and the Baroque Period

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Essay
AI Summary
This essay, prepared by Giulia Cerqueira Mares Esposito, explores the intersection of religiosity, the Baroque style, and society in 18th-century Minas Gerais, Brazil. It examines the significance of religious festivities, specifically the Triunfo Eucarístico and the Áureo Trono Episcopal, as reflections of the Baroque lifestyle. The essay delves into the historical context, including the influence of King Dom João V and the impact of the prohibition of religious orders, which led to the rise of lay brotherhoods. It analyzes how these festivities served to reinforce Catholic doctrines and influence social behaviors, mirroring the Roman "panem et circenses" policy. The essay highlights the symbolism, paradoxes, and illusions inherent in the Baroque style, as observed in the lavish yet often deceptive nature of the celebrations. The research underscores how the Baroque period shaped the cultural and social fabric of Minas Gerais, making it a society of appearances and religious devotion.
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Universidade Federal De Ouro Preto
Departamento De Turismo
Cultura e Arte Barroca
Giulia Cerqueira Mares Esposito1
Religiosidade, barroco e sociedade mineira: A importância das festas
religiosas em Minas Gerais no século XVIII
Resumo
Mais do que uma expressão artística e arquitetônica, o barroco foi um estilo de vida. Com o
intuito de reafirmar os dogmas e as doutrinas católicas ele teve forte influência na forma de vida
da sociedade mineira no século XVIII. Este artigo objetiva apresentar as principais festas
religiosas do período barroco, O Triunfo Eucarístico e o Áureo Trono Episcopal, discutindo sua
importância e consequências na sociedade da época, além de apresentar as reedições das
mesmas.
Palavras-chave: Barroco; Religiosidade; Triunfo Eucarístico; Sociedade; Minas Gerais.
1. Introdução
Em XVIII o Império Português era regido por Rei Dom João V. O Rei
Fidelíssimo, assim nomeado pelo Papa Bento XIV em 1748, era reconhecido por sua
imagem de devoção e zelo pelo culto divino, sendo considerado um defensor da Igreja.
Desde o século XVI, com a expansão marítima, foi concedido um privilégio ao Rei de
Portugal que o permitia manter o controle das atividades religiosas tanto na metrópole
quanto nas colonias, o chamado padroado.
Com a descoberta do ouro na capitania de Minas Gerais, no final do século XVII,
a Coroa Portuguesa proíbe a instalção das ordens religiosas primeiras e segundas
(Jesuítas, Freiras, Franciscanos, etc) na capitania, temendo o desvio de recursos para
Roma, ao invés de ser destinado a Coroa. Esse fato foi de extrema importância para toda
a realidade religiosa em Minas Gerais, pois, a partir dessa proibição, surgiram as
irmandades leigas e, posteriormente, as Ordens Terceiras (São Franscisco de Assis e
Carmo).
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Cultura e Arte Barroca
As Irmandades Leigas eram formadas por homens leigos, ou seja,
pessoas que não fizeram os votos de celibato e não foram ordenados, mas que possuem a
missão de difundir a religião. Elas eram formadas em prol de determinado santo de
devoção (ex. Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, em devoção a santa que dá nome
a irmandade) e eram comumente formadas por fiéis de mesma classe social. Devido à
ausência de Ordens primeiras e segundas, era papel das Irmandades Leigas financiar
obras de construção de igrejas, capelas e altares para seu santo de devoção, prestar auxílio
mútuo para os seus integrantes, promoverem festas e reuniões, entre outras tarefas de
cunho religioso e social.
A sociedade das Minas do século XVIII vivia o estilo de vida barroco. O Barroco
envolvia a forma de pensar, agir, comportar-se, acreditar, viver e morrer, influênciando
assim o modo de vida das pessoas, transformando a sociedade mineira em uma sociedade
de aparências. Como o Barroco surgiu após a Contrarreforma, entre o fim do século XVII
e o início do século XVIII, com o intuito de reafirmar os dogmas e as doutrinas da Igreja
Católica, que estava perdendo fiéis para as religiões protestantes, em seu caráter religioso
o estilo foi marcado de simbolísmo e significados, ditando comportamentos e hábitos
corretos para que se alcançasse a “boa morte” e, posteriormente, o céu.
Además do seu contexto iconográfico e espiritual, com a exaltação de imagens, a
pedagógia do medo, a caridade, obrigações e punições, o paradoxo e a ilusão eram
características intrinssecas ao Barroco. Essas características também estavam presentes
nas festividades que eram realizadas.
O Falso Fauso, texto de Laura de Mello e Souza presente em seu livro, Os
Desclassificados do Ouro (1990), apresenta a ilusão e o paradoxo barroco nas principais
festas de Minas Colonial, O Triunfo Eucarístico (1833) e o Áureo Trono Episcopal
(1948), onde o “o luxo era ostentação pura, o fausto era falso, a riqueza começava a ser
pobreza, o apogeu decadência” (SOUZA, 1990, pag. 23)
2. O Triunfo Eucarístico
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Cultura e Arte Barroca
Panem et circenses. A chamada política do pão e vinho foi o modo com o qual
os líderes do Império Romano lidava com a população em geral, principalmente em
momentos de crises, mantendo-as fiéis à orgem estabelecida e conquistando seu apoio.
As grandes arenas romanas eram um ponto de convergência entre os diferentes
segmentos da sociedade romana, independente da condição economica, e o mero fato de
participar dos eventos era um exércicio de poder, associado ao sentimento de “ser
romano”.
As grandes festas religiosas que aconteceram na capitania de Minas tiveram um
efeito semelhante ao da política romana, uma vez que serviu para manter os fiéis
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